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segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

Capas e notícias: qual é o critério?



Na edição 2091, a Veja trouxe em sua Carta ao Leitor "o critério" para seleção da capa semanal. Analise os argumentos da revista e faça um texto (dissertativo) demonstrando sua opinião sobre o critério adotado, incluindo na sua argumentação se a escolha da revista foi baseada em apuração jornalística, interesse público, sensacionalismo outros...

Carta ao Leitor
A corrida das notícias





A reportagem sobre o poder do Google, a que explica o desejo de consumir e a que trata das ações do governo para amenizar a crise poderiam também ter sido escolhidas

Para uma revista semanal, a dificuldade de seus editores em escolher o assunto que merece ser capa é um indicador de vigor editorial. Também é ótimo sinal quando uma capa escolhida no começo ou no meio da semana cede lugar a um fato espetacular que acaba se impondo e ocupando o espaço mais nobre da revista. Nesta semana, os editores de VEJA viram-se nessa condição. Eles tiveram de abrir caminho para a capa a um assunto depois de outro, na saudável alternância que, no fundo, é o alimento para a alma do jornalismo, atividade cujo maior inimigo é a normalidade.

Quando a semana começou, a reportagem sobre o poder global do Google parecia candidata imbatível para a capa. Na quarta-feira, a decisiva cartada do governo contra a crise, materializada por um plano que, de maneira inédita, cortou gastos oficiais e diminuiu impostos, ganhou o privilégio de ser capa. Essa dianteira seria perdida na manhã de quinta-feira por uma revelação chocante, a morte com suspeita de overdose do ex-marido de Susana Vieira, uma das mais queridas e talentosas atrizes brasileiras. Susana tem tido na vida real dissabores amorosos que nem os mais inventivos autores de novela parecem ter sido capazes de criar. Esses raros momentos em que a vida supera a arte são os mais reveladores das fraquezas e complexidades da condição humana – e é disso que trata a capa de VEJA.

Ter perdido a capa não diminui a qualidade das reportagens preteridas. A que revela o crescente domínio do Google na internet merece um destaque especial. Para produzi-la, a jornalista Paula Neiva leu oito livros, entrevistou 23 físicos, engenheiros, publicitários, economistas e executivos familiarizados com o Google no Brasil, nos Estados Unidos e na Inglaterra. Seu relato, que se inicia na página 150, mostra como o que começou há dez anos sendo apenas um site de buscas se tornou a maior multinacional do mundo digital, com a possibilidade e a vontade de armazenar todo o conhecimento humano e ser a porta de entrada da internet para bilhões de terráqueos.
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Fonte:
http://veja.abril.com.br/171208/cartaleitor.shtml#-100 - Edição 2091 - 17 de dezembro de 2008

quinta-feira, 20 de setembro de 2007

Carta ao leitor/Editorial - Exercício - Tira-dúvida

Leia atentamente o recorte abaixo:


Gêneros textuais: CARTA AO LEITOR e EDITORIAL

A divulgação científica na mídia

Para a caracterização do funcionamento do discurso de divulgação científica na mídia, foram selecionados trechos da "Carta ao leitor" da revista Superinteressante (São Paulo, Abril, out. 2002) e do "Editorial" da revista Pesquisa FAPESP (São Paulo, FAPESP, out. 2002). A seleção dessas duas publicações fundamentou-se, por um lado, em aspectos comuns — ambas são revistas de divulgação científica, vendidas em bancas de jornal e publicadas no mês de outubro de 2002 — e, por outro, em aspectos divergentes — as instituições responsáveis pelas publicações, Editora Abril e Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP), ocupam espaços diferentes na sociedade brasileira, o que tem conseqüências no funcionamento discursivo dos textos que iremos analisar.


A revista Superinteressante traz, no início de cada número e ao lado de quadro com informações sobre a equipe editorial da revista e da Editora Abril, um texto do gênero "carta ao leitor", assinado pelo diretor de redação. A escolha desse gênero sinaliza a busca de diálogo com o público-alvo, como meio de atingir seus propósitos: a captação do interesse do leitor em função dos temas tratados na edição com vistas à venda da revista.


O texto constrói-se sobre o diálogo eu — diretor de redação —, tu — cada leitor individualmente — e a menção a um ele(s) — repórteres e reportagens:

Eu disse no mês passado que as novidades que marcam nosso aniversário de 15 anos não tinham se encerrado na edição extra de setembro — capa "Diabete" — e na caixa de CDS com a coleção completa da SUPER — dois produtaços que estão nas bancas. E é verdade. Tem muita coisa bacana vindo por aí. Livros, DVDS, um almanaque maravilhoso. Mais a possibilidade de assinar já as 12 edições mensais de Mundo estranho e seis edições especiais da SUPER para 2003. Enfim: prepare o seu coração para tudo que a gente está aprontando para você.


No eixo da intersubjetividade (eu/tu), é produzida a aproximação diretor de redação/cada leitor, por meio da construção de imagens e do apagamento da assimetria repórter (detentor de um saber) e leitor (que busca a informação). Na seqüência, o diretor faz uso de uma série de recursos lingüísticos para construir seu lugar de enunciação: utilização de sufixos e termos próprios a uma linguagem coloquial, produzindo os efeitos de descontração, jovialidade e leveza ("dois produtaços", "coisa bacana", "embasadíssimos", "aprontando", "primeiríssima qualidade", "em primeira mão"), simulação da simetria ou mesmo produção de assimetria em benefício do leitor ("Muitas vezes o leitor da SUPER sabe tanto ou mais sobre o assunto em pauta do que os especialistas que ouvimos nas reportagens."), sem contudo abrir mão da seriedade ("uma apuração exemplar que reflete bem o tipo de jornalismo que tentamos fazer na SUPER todo mês: informação e análise de primeiríssima qualidade"). O leitor da revista é inserido no texto, com a utilização de diversas marcas de interlocução ("prepare o seu coração para tudo que a gente está aprontando para você", "Quando digo que você é nosso acionista, meu caro, minha cara, não estou exagerando", "É um tremendo desafio e uma grande satisfação fazer jornalismo para gente como você", "Boa leitura").



Por fim, fora o eixo da intersubjetividade, o texto constrói a legitimidade dos conteúdos veiculados, por meio da exposição e valorização das credenciais da fonte da reportagem ("ouviu ninguém menos que Peter Gay, autor de uma das mais respeitadas biografias de Freud, Fritjof Capra, físico da Universidade Berkeley, um dos fundadores da chamada New Age, e Sophie Freud, a neta do bom velhinho") e da proximidade repórter/leitor ("Para realizar a reportagem que você lê a partir da pág. 42, o editor Rodrigo Cavalcante, um flamenguista nascido em Maceió, homem de letras que também é autor dos vitupérios mais engraçados que ecoam pela redação"). Nesse texto, a transmissão de conhecimento é modulada pela captação e sedução do público leitor, que regula todo o processo: a escolha dos temas, seu enfoque, a postura do repórter e do diretor de redação.


Esse procedimento se enquadra na análise de Barthes (1975) sobre a influência da retórica aristotélica, na qualidade de "arte" de persuadir por meio de estratégias verossímeis, ou seja, daquilo que é opinião corrente, nas culturas ditas de massa. Essa lógica também tem influenciado, a propósito, as práticas escolares que fogem do conflito e buscam a satisfação do aluno como meio de produzir um aparente sucesso educacional.


A revista Pesquisa FAPESP traz, no início de cada número e ao lado de quadro com informações sobre a equipe editorial da revista e da FAPESP, um texto do gênero "editorial". Diferentemente da carta ao leitor, esse gênero, presente em grandes jornais impressos, não vem assinado, pois representa a posição da equipe editorial a respeito dos assuntos tratados naquela edição. A escolha do gênero evidencia a diferença com relação à revista anteriormente analisada: a apresentação e o comentário das reportagens da revista não trazem marcas da relação autor/leitor, legitimando-se pelos critérios científicos e pela relevância das pesquisas descritas nos textos. O "Editorial" inicia-se da seguinte forma:


Surpresas do mundo vegetal

Os que estão sinceramente preocupados com o futuro do planeta mostram-se indignados com a recusa dos Estados Unidos — o país responsável por um quarto das emissões globais de dióxido de carbono (CO2) na atmosfera terrestre — em ratificar o Protocolo de Kyoto, mas perceberam, com alívio, claros sinais, lançados de Johannesburgo em setembro, do crescente isolamento internacional da posição norte-americana. Na dúvida, contudo, quanto aos bons resultados da diplomacia, os pesquisadores que lidam concretamente com problemas do meio ambiente continuam indo à luta e perseguindo soluções capazes de impedir o desastre anunciado que representaria para a humanidade o aumento descontrolado do gás carbônico no ar que respiramos.



Tal como assinalado, o "Editorial" não apresenta nenhuma marca das pessoas do discurso (eu/tu), construindo-se inteiramente sobre a terceira pessoa, característica dos textos científicos. O segundo parágrafo, que se inicia com "O mundo vegetal revela outra surpresa nesta edição", modula esse recurso — confirmando e estabelecendo-o — pelo uso da terceira pessoa: atribui-se ao mundo vegetal a revelação dos efeitos da planta, e não à atividade de sujeitos cientistas, o que produz o efeito de objetividade do discurso científico.


Os critérios de seleção dos temas das reportagens provêm das duas esferas definidoras da revista: da esfera midiática, a preocupação com assuntos da atualidade e seu impacto social, evidenciados na menção ao "Protocolo de Kyoto", para introduzir a reportagem sobre o jatobá, e ao "significado social" das descobertas sobre a samambaia-das-taperas; e, da esfera científica, os avanços obtidos pelas pesquisas relatadas e sua aplicação tecnológica, presentes na expressão "a par dos resultados científicos" e "novas tecnologias úteis a seu campo de atividades". É o potencial de novidade e sua relevância social que funcionam como índices legitimadores das reportagens, cuja apresentação dispensa a explicitação das credenciais de repórteres e cientistas, autorizados a priori pelo prestígio da FAPESP, na qualidade de órgão de financiamento da pesquisa no Brasil.


Os aspectos acima descritos apontam para o leitor-alvo dessa publicação: familiarizado com assuntos internacionais veiculados pela mídia, conhecedor do prestígio da FAPESP e interessado nas possibilidades de aplicação do conhecimento científico produzido no Brasil. Esse leitor necessita de poucos recursos de sedução para a leitura da revista, além do prestígio que a ciência já goza em nossa sociedade.


A análise da "Carta ao leitor" da Superinteressante e do "Editorial" da Pesquisa FAPESP evidenciam as diferenças entre essas duas publicações. Assim como se observou anteriormente a propósito dos estudos retóricos, a primeira publicação — Superinteressante — desempenha o estatuto do propagandista, isto é, o de granjeador da atenção do seu público, ao passo que a segunda — Pesquisa FAPESP — usufrui o prestígio de porta-voz legítimo dos valores de uma comunidade, a saber, da comunidade científica brasileira.


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Exercício: Faça a análise de quais são as características (predominantes) presentes nos textos abaixo, que “definem” o gênero Carta ao Leitor:


Rumos da educação

Liberdade atropelada

Revista ConViver Nordeste

Um prazer que move economias e transforma países