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terça-feira, 16 de março de 2010

Aconteceu, virou manchete!

Exercício:

Leia o artigo abaixo e faça um resumo (até duas páginas) para a próxima aula.




Aconteceu, virou manchete!

por Ana Maria Ribeiro de Andrade
José Leandro Rocha Cardoso
Museu de Astronomia e Ciências Afins


Na década de 1950, não havia no Brasil revistas especializadas em divulgação da ciência. O rádio era o principal meio de comunicação de massas. Considerando que a fraca articulação entre ciência e sociedade tem raízes históricas, este trabalho analisa como a Manchete — revista semanal de entretenimento e fatos diversos — apresentava a ciência a seus leitores. Primeiramente, são analisadas as características editoriais da Manchete e as informações sobre a freqüência e as particularidades das matérias publicadas sobre ciência e tecnologia. Depois, fazendo um paralelo com a revista O Cruzeiro, o trabalho destaca a contribuição da Manchete para o desenvolvimento do pensamento científico. Palavras-chave: divulgação da ciência; Manchete; O Cruzeiro. Leia o artigo na íntegra....

Referência bibliográfica:

ANDRADE, Ana Maria Ribeiro de; CARDOSO, José Leandro Rocha. Aconteceu, virou manchete. Rev. bras. Hist., São Paulo, v. 21, n. 41, 2001 . Disponível em . acessado em 16 Mar. 2010.

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domingo, 29 de março de 2009

A história das coisas



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Assista ao vídeo e faça uma resenha crítica, apontando soluções que VOCÊ poderia tomar a curto, médio e longo prazo.

Cite ainda algumas políticas governamentais que você julga importantes, a partir do conteúdo explanado sobre "A hitória das coisas".

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Veja aqui o site sobre o documentário

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Este exercício será considerado como reposição da aula do dia 17/04, valerá nota, e deve ser postado até a respectiva data.

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sábado, 28 de março de 2009

sugestões de pauta

Queridos,

postem aqui sugestões de pauta para nossa revista de saúde e meio ambiente.

bjs
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update:

CADA aluno deverá individualmente (valendo nota) entregar TRÊS sugestões de pauta na aula do dia 27/03/2009 contendo, cada uma, os itens abaixo:


1) Cabeçalho: Onde devem estar contidos o nome do redator, a data em que foi elaborada a pauta, a retranca (duas palavras que indiquem o tema da pauta) e a fonte (de onde foram tiradas as informações para a pauta).

2) Tema: Sobre o que se trata a pauta.

3) Histórico/Sinopse: Você deverá escrever em poucas linhas (média de 15 linhas) em linguagem radiofônica um resumo dos fatos que levaram esse tema a se justificar como assunto de uma pauta jornalística. Esse material é muito importante para situar o repórter e porque poderá ser utilizado por ele para o lide e/ou cabeça da matéria. Para reportagens especiais pode-se inserir mais informação.

4) Enfoque/Encaminhamento: Qual será o direcionamento a ser dado na matéria, ou seja, com base no histórico exatamente o que o pauteiro quer que seja desenvolvido pelo repórter. Indique para o repórter. Este item é que irá definir as suas sugestões de perguntas.

5) Fontes: Para se obter as informações sobre o tema da matéria é fundamental que o pauteiro apresente as fontes para a reportagem, ou seja, as pessoas que serão entrevistadas pelo repórter. Nesse caso, além do nome e do cargo/função da pessoa, deve constar na pauta o endereço e todos os telefones possíveis para contato.

6) Sugestões de perguntas: Como o nome já dia são sugestões a serem seguidas pelo repórter. Mas lembre-se uma pauta não é uma camisa de força. O repórter tem toda liberdade de questionar o entrevistado sobre outras questões que considerar importante naquele momento.

7) Anexos: Caso o pauteiro tenha feito alguma pesquisa ou possua recorte de jornal/revista ou texto retirado da internet poderá anexar na pauta.

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Lembretes:

a) As pautas que serão apresentadas (impressas) na próxima aula 3/4 devem seguir ao planejamento: uma grande reportagem, uma matéria simples informativa, um texto alternativo.

b) A grande reportagem deve ter no mínimo 3 especialistas/fontes e 3 personagens/exemplos. A apuração deverá ser criteriosa e aprofundada em relação ao tema. O texto final, editorado com fotos, deverá ficar entre 3 e 8 páginas.

c) A matéria simples, de cunho informativo, não ultrapassará uma página (com foto ou ilustração).

d) O terceiro texto, "alternativo", pode ser de gênero variado. São eles: linha do tempo, perfil, entrevista, ping-pong, crônica, conto, charge, foto-legenda, coluna, artigo, tirinhas/quadrinhos, poesia, cordel... desde que tratem de assuntos relacionados à saúde ou ao meio ambiente.

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postem aqui as PAUTAS para aprovação.

quarta-feira, 4 de março de 2009

Atividade: visitando uma banca

Registra a wikipédia que as bancas de jornal e os jornaleiros são a última etapa da cadeia de produção e distribuição dos produtos de jornalismo impresso e editoriais.
Nas grandes cidades brasileiras, as bancas são quiosques de venda de publicações periódicas, instaladas em pontos estratégicos como esquinas e avenidas de grande movimento.
Nos EUA, por outro lado, a maior parte dos jornais é vendida em máquinas automáticas acionadas com moedas. Em alguns outros países, os jornais e revistas são vendidos em livrarias, tabacarias, charutarias, bombonieres e outras lojas específicas.


Os jornaleiros (ou gazeteiros), que vendem exemplares avulsos na rua, costumam trabalhar pelo sistema de consignação, recebendo comissão percentual ao valor de cada jornal ou revista vendido e devolvendo à distribuidora ou editora os exemplares não vendidos ("encalhados").

Os produtos mais comumente vendidos em bancas de jornal são, entre outros:

jornais - revistas - revistas de histórias em quadrinhos ou gibis - álbuns de figurinhas e seus respectivos cromos colecionáveis

Recentemente, a estratégia de marketing das editoras e jornais tem incluído a comercialização conjunta de produtos de valor agregado e colecionáveis — como CDs e DVDs, ou até mesmo atlas e enciclopédias encartados em fascículos —, que vêm incluídos no preço da publicação ou que podem ser adquiridos opcionalmente por um custo adicional. Em certos casos, a receita da venda destes produtos não vai para o jornaleiro, e sim para a editora.


Bancas de jornal também costumam vender outros artigos de pequeno valor não-relacionados a publicações, como isqueiros, cigarros, cartões telefônicos e pilhas.


Uma tendência que vem crescendo na Europa e em outros países do Primeiro Mundo é a distribuição gratuita de jornais, em metrôs e supermercados. Estes jornais são mantidos exclusivamente pela receita publicitária, em lugar da venda. Nestes casos, as bancas são dispensáveis para a circulação, o que às vezes atrai a antipatia por parte dos jornaleiros contra estas publicações.


Além das bancas de jornal, as publicações editoriais ou periódicas têm como alternativa para distribuição também os sistemas de assinatura ou subscrição.


No Brasil, o Dia do Jornaleiro é instituído no dia 15 de novembro.
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Exercício proposto:
Visite uma banca de jornais/revistas e faça uma "pesquisa-experiência" nela.
Aguce a curiosidade e veja quais publicações estão em detaque, converse com o jornaleiro e saiba das revistas mais procuradas, investigue o tipo de leitor/consumidor que frequenta o estabelecimento, vivencie esta visita e narre aqui (nos comentários) sua experiência.
Diga os pontos que mais lhe chamaram à atenção durante a pesquisa e o por quê.
Não se esqueça de assinar a postagem.
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Prazo: Sexta-feira 06/03/2009 - atividade avaliativa
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sábado, 27 de dezembro de 2008

O diploma me faz jornalista?



Recebi esses dias em uma das listas de que participo mais um dos e-mails, sempre em tom sindicalista-desesperado, falando da defesa do diploma para o exercício do Jornalismo. Um “manifesto à nação” da Fenaj (Federação Nacional dos Jornalistas), cuja propagação foi pedida aos jornalistas e blogueiros da lista —mas que o próprio site da Fenaj não destacava até a publicação deste post, ou se trazia era escondido demais para tanto alarde. Sou jornalista formado —mas me pergunto: foi mesmo o diploma que me fez jornalista?

Diz o tal manifesto: “O Supremo Tribunal Federal (STF) está prestes a julgar o Recurso Extraordinário (RE) 511961 que, se aprovado, vai desregulamentar a profissão de jornalista, porque elimina um dos seus pilares: a obrigatoriedade do diploma em Curso Superior de Jornalismo para o seu exercício. Vai tornar possível que qualquer pessoa, mesmo a que não tenha concluído nem o ensino fundamental, exerça as atividades jornalísticas.”

Questiono-me sobre o século em que vivem os profissionais integrantes da Fenaj e do Sindicato dos Jornalistas. Corporativismo é a razão óbvia. Mas obsolescência é o que me parece estar por trás disto. Por um simples motivo: exercer funções jornalísticas independe do diploma faz tempo, e não requer que recurso extraordinário algum. Graças à Web, qualquer um pode exercer sua liberdade de expressão.

Sempre fui favorável ao diploma. Até que, formado, após dois anos ministrando aulas de graduação para Jornalismo e cursando meu mestrado em Comunicação, retornei à Escola de Comunicações e Artes da USP, só que agora como professor. Foi um semestre para confirmar o que meu orgulhoso diploma uspiano me fazia negar —o curso de Jornalismo beira a falácia. Estuda-se sociologia e filosofia (ministrada por sociólogos e filósofos frustrados, que vieram cair na área de comunicação) de maneira parca e rasa; de outro lado estudam-se as técnicas de cada meio de difusão de informação, como se isso não fosse material de ensino profissionalizante e estivesse muito aquém do que requer um grau superior de formação.

E a Comunicação, campo tão rico, tão vasto? Meu semestre de Teoria da Comunicação, em 1999 ou 2000, foi tão superficial que tive de buscar uma optativa sobre o tema tempos depois. História do Jornalismo? Ha! Uma verdadeira piada… com direito a professora questionando os alunos sobre “O que é aprender”, pergunta seguida de vexatórios 10 minutos de silêncio na sala. Outra vez, fui obrigado a procurar uma optativa do saudoso Jair Borin para saber um pouco do que havia se passado na história da imprensa do meu país. Pergunte-me se alguma disciplina tinha por leitura obrigatória a “História da Imprensa no Brasil”, do Nelson Werneck Sodré? Pergunte aos responsáveis pelo curso de Jornalismo se existe algum esforço em publicar o trabalho dos alunos em algum meio outro que não o papel malcheiroso do Jornal do Campus? Quando comparo o que estudei em cinco anos de ECA com o que as pessoas da FAU, da Poli, da FEA estudam, realmente tenho a sensação de que cursar Jornalismo foi uma grande brincadeira. O que só se ratifica quando você ouve da boca de um coordenador de curso da USP que a faculdade só é o que é por causa da Fuvest.

E então você se depara com trabalhos como a reportagem multimídia Entremuros de um Hospital-Colônia, da ecana Gabriela Agustini —de que fui banca avaliadora, na sexta-feira última— e percebe que foi executado todinho sem apoio algum da Escola, mas somente com o pulso da orientadora e da própria rede de contatos que a aluna criou. Realmente há algo de errado.

Certa feita ouvi uma frase comicamente realista. “O mundo tem uma bunda muito grande, e as pessoas precisam de muito papel para limpá-la”. Pois um diploma, nessas condições de formação, é um papel higiênico com carimbo da USP —e aqui cuspo no prato que comi, mas certo de que a história se repete de tanto que já ouvi de gente que se graduou em outros cursos de jornalismo pelo país.

Será, portanto, que Fenaj e Sindicato estão realmente se preocupando com o que merece atenção, ou estão apenas defendendo interesses corporativistas, para manter suas fontes de renda e sua função, cada vez mais anacrônica, diante de um cenário de mídia que já virou de século? Porque, realmente, se é para defender este diploma que eu e mais tantos outros tiram todo ano —juro que talvez eu tenha que mudar de lado.

Que se pense, pois, o Jornalismo —antes de defesas corporativas, precisamos de uma defesa conceitual. Torna-se necessário ousar mais no âmbito acadêmico, que, fora do anacronismo modorrento da universidade pública, ainda teima em reproduzir (e reproduz mal) o mercado a quem busca fornecer mão-de-obra. O momento é de transição, e manter o velho discurso sobre diploma da era da imprensa escrita só tornará os jornalistas ainda mais anacrônicos e dinossáuricos em tempos de Web.

Para concluir, vou usar uma citação de Ignacio Ramonet, do Le Monde Diplomatique, como que para dizer que sim, ainda acredito no Jornalismo: “Face a todas as transformações tecnológicas com as quais nos defrontamos, devemos nos colocar a seguinte pergunta: de que problemas atuais o jornalismo é a solução? Se conseguirmos responder, então o jornalismo jamais desaparecerá.”

Ainda há como responder?
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Com base no artigo acima faça uma análise sobre: o que "faz (forma) de fato um jornalista ser jornalista"?
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segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

Capas e notícias: qual é o critério?



Na edição 2091, a Veja trouxe em sua Carta ao Leitor "o critério" para seleção da capa semanal. Analise os argumentos da revista e faça um texto (dissertativo) demonstrando sua opinião sobre o critério adotado, incluindo na sua argumentação se a escolha da revista foi baseada em apuração jornalística, interesse público, sensacionalismo outros...

Carta ao Leitor
A corrida das notícias





A reportagem sobre o poder do Google, a que explica o desejo de consumir e a que trata das ações do governo para amenizar a crise poderiam também ter sido escolhidas

Para uma revista semanal, a dificuldade de seus editores em escolher o assunto que merece ser capa é um indicador de vigor editorial. Também é ótimo sinal quando uma capa escolhida no começo ou no meio da semana cede lugar a um fato espetacular que acaba se impondo e ocupando o espaço mais nobre da revista. Nesta semana, os editores de VEJA viram-se nessa condição. Eles tiveram de abrir caminho para a capa a um assunto depois de outro, na saudável alternância que, no fundo, é o alimento para a alma do jornalismo, atividade cujo maior inimigo é a normalidade.

Quando a semana começou, a reportagem sobre o poder global do Google parecia candidata imbatível para a capa. Na quarta-feira, a decisiva cartada do governo contra a crise, materializada por um plano que, de maneira inédita, cortou gastos oficiais e diminuiu impostos, ganhou o privilégio de ser capa. Essa dianteira seria perdida na manhã de quinta-feira por uma revelação chocante, a morte com suspeita de overdose do ex-marido de Susana Vieira, uma das mais queridas e talentosas atrizes brasileiras. Susana tem tido na vida real dissabores amorosos que nem os mais inventivos autores de novela parecem ter sido capazes de criar. Esses raros momentos em que a vida supera a arte são os mais reveladores das fraquezas e complexidades da condição humana – e é disso que trata a capa de VEJA.

Ter perdido a capa não diminui a qualidade das reportagens preteridas. A que revela o crescente domínio do Google na internet merece um destaque especial. Para produzi-la, a jornalista Paula Neiva leu oito livros, entrevistou 23 físicos, engenheiros, publicitários, economistas e executivos familiarizados com o Google no Brasil, nos Estados Unidos e na Inglaterra. Seu relato, que se inicia na página 150, mostra como o que começou há dez anos sendo apenas um site de buscas se tornou a maior multinacional do mundo digital, com a possibilidade e a vontade de armazenar todo o conhecimento humano e ser a porta de entrada da internet para bilhões de terráqueos.
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Fonte:
http://veja.abril.com.br/171208/cartaleitor.shtml#-100 - Edição 2091 - 17 de dezembro de 2008

sábado, 22 de novembro de 2008

Reportagem x anunciantes: a revista na era capitalista

As 69 primeiras páginas da Veja
por Wilson Bueno*

É razoável imaginar que o leitor de revistas de caráter jornalístico, deve, quando tem acesso a uma delas, privilegiar as informações e sobretudo as informações de qualidade. Um bom veículo jornalístico se caracteriza por notícias e reportagens, se possível pautadas pela redação em função de certos critérios tradicionais na área, um dos quais o interesse público.

Tudo bem, os anúncios fazem parte do negócio e numa sociedade moderna, capitalista ou não, eles estão aí por toda a parte, seduzindo-nos especialmente a consumir celulares, fast-food, carrões de todo o tipo, bebidas, medicamentos e outras coisas vistas pelo cidadão como normais ou indispensáveis.

Mas há limites na relação entre o espaço editorial e o espaço comercial que deveriam ser respeitados , sobretudo quando há uma contaminação de interesses privados ou públicos em detrimento da qualidade da informação. Na prática, é isso a que estamos assistindo recorrentemente nos veículos brasileiros, com algumas poucas exceções que merecem ser saudadas.

Dentre estas exceções, obviamente não está, a meu ver, a revista Veja, que não se caracteriza há tempos pela excelência editorial, muito pelo contrário, embora mantenha a liderança em termos de tiragem (o leitor brasileiro é pouco exigente mesmo) e o seu cinismo editorial. Blasfema contra as ideologias e tem a sua própria, comprometida com os interesses de determinados grupos, em especial aquele que a sustenta, como toda empresa ou corporação de mídia nesse país. Até aí nada tem de diferente. Os monopólios são parecidos na indústria da comunicação, na de medicamentos, na de biotecnologia, agroquímica ou na tabagista e comungam do mesmo credo: o lucro em primeiro lugar e os adversários têm que ser banidos do mapa, a qualquer custo.

Nesta semana, ao que parece, a Veja exorbitou e é interessante ver alguns dados. Tomemos as primeiras 69 páginas da revista, incluída aí a capa, para seguir a numeração adotada pela publicação.

Pois bem, vamos aos números. Quantas reportagens ou mesmo notícias na verdadeira acepção da palavra, encontramos nestas 69 páginas? Ora, se tirarmos as páginas amarelas tradicionais, que ocupam 3 páginas permeadas por uma página dupla de publicidade, nenhuma reportagem. Isso mesmo. A Veja, nas 69 primeiras páginas desta edição, dedica 46 páginas para publicidade (e não contei alguns terços de páginas, aquelas lingüetas com anúncios de clínicas que tratam de problemas de ereção), reservando as demais (23) para um ou outro colunista (ou mais apropriadamente cronista ou humorista de prestígio) como Lia Luft e Millor, expediente, carta do leitor, e colunas com pouca inteligência e densidade, como Radar, Imagem da Semana , Holofote, Veja Essa).

A primeira reportagem aparece na página 70 e está desatualizadíssima porque diz como os candidatos à prefeitura chegaram à reta final (segundo turno), quando todos nós, no final da semana quando a revista chegou às bancas e em nossas casas, já estávamos tomando contato do resultado definitivo e acompanhando a abertura das urnas. Aliás, a data da revista (29 de outubro) é mesmo posterior às eleições do segundo turno.

Em jornalismo, costumamos dizer que se trata de matéria fria, como boa parte da revista Veja desta semana, uma "cozinha" terrível porque certamente está faltando redação, provavelmente engolida pelo comercial, cada vez mais competente a ponto de reduzir a redação a uma posição secundaríssima.

Se considerarmos a revista com um todo (164 páginas, incluídas a capa), vamos encontrar no total 75 páginas de publicidade. Se incluirmos as 20 páginas do encarte Veja especial Autos, um informe publicitário, teremos 184 páginas e 95 de publicidade, uma proporção dramática para uma revista de caráter jornalístico. Notícias, reportagens de verdade representam cerca de um terço da Veja, ou seja ela está mais para catálogo publicitário e para espaços assinados ou de notinhas tipo almanaque do que uma publicação efetivamente pautada pela redação.

O jornalismo brasileiro de revista, com poucas exceções, está caminhando para isso, ou seja pouco de jornalismo (em quantidade e qualidade porque está sobrando matéria gelada, requentada e outras modalidades menos votados) e muito de projetos de mercado, publieditoriais. Isso tem explicação: com a baixa qualidade da informação, tem sido mesmo difícil para as revistas se sustentarem apenas com a venda e as assinaturas . Daí a apelação, como a da Veja, é inevitável. Os jornais já fazem isso há algum com promoção de fascículos, CDs, livros encalhados e assim por diante. E a Caras já inseriu faca, colher e outras coisas malucas para empurrar a revista.

Evidentemente, o exemplo da Veja não é único e só chama a atenção porque se trata, ainda, da revista de maior circulação e que um dia já deu sua contribuição ao jornalismo brasileiro. Hoje, a contribuição relevante é muito pequena e ocorre aos espasmos, apenas em tempo de escândalos políticos.

É necessário, tendo em vista esta dura realidade, rever os modelos e conceitos. Vai ser difícil a imprensa culpar as escolas de Jornalismo por essas mazelas todas porque, na prática, os jornalistas pouco têm participado destes projetos, que andam sendo liderados pelos departamentos comerciais e por relacionamentos pessoais e comerciais de empresários da comunicação que andam loteando os espaços para quem se dispuser a pagar por eles.

A situação não é melhor nas revistas segmentadas (há exceções, felizmente) que se mantêm reféns de anunciantes e que , em muitos casos, exibem, sem ficarem coradas, reportagens com o cheiro ruim de jabá, matérias pagas dissimuladas, operações casadas entre anúncios e espaço editorial, como os exemplos horrorosos das edições "as melhores empresas para trabalhar" e outros rankings sem valor algum.

As revistas brasileiras (há exceções, muito poucas) não têm sido mais produzidas com os neurônios dos jornalistas, mas com a grana dos que as financiam e andam pobres, sem inteligência, com gosto e aparência de coisa velha, mofada, completamente descartáveis.

A qualidade do jornalismo brasileiro nada tem a ver com a exigência ou não do diploma (embora a contribuição de alguns cursos de jornalismo tenha sido fundamental para oxigenar algumas redações) mas com a cabeça dos empresários da comunicação que andam mais preocupados em agradar anunciantes do que em investir realmente na informação qualificada. Como o jornalismo brasileiro em geral, o jornalismo de revista é preguiçoso, burocrata, refém de agências e assessorias e sobretudo de empresas que têm utilizado o espaço editorial e publicitário para o processo sujo e não ético de limpeza de imagem, incluída aí a praga do marketing verde, que tenta nos convencer de que a indústria tabagista, agroquímica, de papel e celulose ou mineradora, dentre outras, é sustentável. História para boi dormir ou piada de gosto discutível?

Está na hora de reiventar o jornalismo e sobretudo o jornalismo de revista, que está mais para catálogo de produtos e para fábrica de congelados (de tão frio) . Aquela imprensa viva, ativa, investigativa de que todos gostamos permanece cada vez mais na memória.

Certamente, estou errado na opinião dos empresários e profissionais de propaganda. A Veja, com seu número recorde de páginas de publicidade, talvez ganhe o prêmio de veículo de ano. Afinal de contas, pelos critérios atuais, revista bem sucedida não é aquela que está repleta de anúncios? Viva a Veja. Para quem gosta é prato cheio.

Continuo preferindo o Paulo Freire que um dia desses mereceu comentários infelizes da revista, que não consegue reconhecê-lo como um dos maiores educadores da atualidade. Vai ver que a Veja julga que este lugar deva ser ocupado por um de seus patrões, provavelmente tidos por ela como baluartes da democracia, da ética e da educação. Só para entrar no clima das eleições, entre Paulo Freire e Vitor Civita, você votaria em quem? Quem maior contribuição deu à educação brasileira?

Se peguei pesado, peço desculpas, mas o cinismo empresarial me irrita profundamente. Coisa de jornalista tradicional, que ainda prefere ler as reportagens nas revistas de caráter jornalístico e que julga que o dedo do comercial deveria estar em outro lugar, não nas redações. Aonde? Sugestões são aceitas, mas, por favor, respeitem o colunista.


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* Wilson da Costa Bueno é jornalista, professor da UMESP e da USP, diretor da Comtexto Comunicação e Pesquisa. Editor de 4 sites temáticos e de 4 revistas digitais de comunicação.
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Exercício:
Faça análise do conteúdo de três revistas de um segmento (a escolher) com base nos argumentos de Bueno no artigo acima.
Também, confira abaixo os argumentos da Revista Veja (em 2007) quanto ao crescimento de páginas de anunciantes.



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Carta ao leitor

Edição 20375 de dezembro de 2007

Esta edição de VEJA apresenta, no total, 240 páginas. Destas, 121 são de reportagens, entrevistas e artigos, quarenta acima da média. As 119 restantes são de publicidade – um recorde em edições regulares da revista. São números que impressionam e nos enchem de orgulho. Para além de refletir o bom momento da economia brasileira, demonstram o grau de credibilidade, amplitude e prestígio da maior e mais influente revista do país.

Esse prestígio pode ser medido de outras formas. Antes de mais nada, pela qualidade dos seus leitores. Eles formam um contingente de quase 1 milhão de assinantes e cerca de 200 000 compradores em bancas e supermercados. Nos pontos-de-venda espalhados de norte a sul do Brasil, a circulação de VEJA é o dobro da soma da de todas as outras revistas semanais de informação, de acordo com os dados mais recentes do Instituto Verificador de Circulação (IVC). A qualidade e a quantidade de leitores de VEJA atraem, é claro, um grande número de anunciantes igualmente qualificados. Juntos, leitores e anunciantes são a base material da independência, isenção e liberdade de expressão do jornalismo da revista. Os assinantes, os leitores de banca e os anunciantes impulsionam VEJA em sua missão primordial de servir ao Brasil.

Como não poderia deixar de ser, o cardápio editorial desta semana é ainda mais diversificado do que o usual. Traz desde as últimas peripécias subterrâneas do senador Renan Calheiros até a extraordinária expansão dos cartões de crédito e débito no país. VEJA também responde a dezenas de dúvidas a respeito da TV digital, uma novidade que está para entrar em todos os lares brasileiros, revela a imponência dos templos-espetáculo e explica como a medicina encara as doenças ligadas às emoções. A extensa variedade de assuntos cobertos habitualmente por VEJA, aliada à sua credibilidade, transformou a revista numa referência nacional. Não é por outra razão que, na pesquisa de 2007 da Associação Brasileira de Anunciantes, feita em parceria com a Top Brands Consultoria e Gestão de marcas, a revista sobe de 40% para 45% em citações espontâneas, ficando atrás apenas de OMO, Coca-Cola e Visa como uma das marcas mais conhecidas e respeitadas do país.

segunda-feira, 6 de outubro de 2008

Projeto novo - Aviação



Olá você,

Semestre novo, alunos novos, projeto novo.

A pesquisa de campo desta vez apontou para o público da Aviação (civil) e a partir dela pudemos traçar um perfil de leitor e editorial.

Na última aula, fizemos análise de segmento observando revistas que contemplam o tema Aviação (civil e militar).

Assim, vimos as principais pautas, tipos de públicos-alvo, linha editorial de revistas da atualidade que abordam a mesma temática que abordaremos etc.

Como exercício solicitei a observação (para cada publicação) dos itens a seguir, cuja análise de você deverá constar no comentário desta revista.


Perfil editorial



Nome da revista:
Link:
Público-alvo:
Periodicidade:
Eletrônica ou impressa:
Principais características da revista: tipo de linguagem / principais editorias etc


Postem aqui até o dia 8/10, certo?
E comecem a pensar em um nome legal para a nossa revista.

Abraços,

Solange
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p.s. O briefing do nosso projeto também deve ser postado aqui. Não se esqueçam da identificação, colocando o seu nome no final do comentário.
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terça-feira, 13 de maio de 2008

Vamos pesquisar?

Caríssimos!


Passamos o primeiro bimestre vendo e debatendo a teoria sobre o que é, como se faz, quais as tendências, a história e muito mais sobre o Jornalismo de Revista.

Analisamos algumas edições da Revista "O Cruzeiro". E, ainda, cada aluno fez a análise de conteúdo (comparando três publicações por segmento) para perceber as várias nuanças editoriais.

Após a parte teórica, passamos à pesquisa de campo, com a elaboração coletiva do questionário, sua aplicação no Campus Guará, a tabulação, discussão dos resultados, para enfim chegarmos a um perfil de público e preferências.

Na última aula conseguimos elaborar o briefing e rascunhar um "pré-projeto" da nossa revista. Decidimos que será uma revista eletrônica dedicada ao público universitário.


Meio caminho está andado!


Então, agora, chegou o momento de pesquisar o mundo virtual e dar uma busca em publicações e projetos eletrônicos.

Algumas trilhas:









É uma Revista Eletrônica que tem como objetivo
oferecer as pessoas mais um espaço na internet
voltado para a cultura, a arte e o conhecimento .



Revista Eletrônica do Iphan





Capa da Revista Etcetera - Edição 22










Revista Qualit@s


E mais mais:

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Passearam pela www? Perceberam como cada uma tem seu estilo, linguagem e público? Deixe aqui um comentário contando sobre sua pesquisa.


E, vamos ao nosso projeto!


Abraços e até sexta-feira!


Solange

sexta-feira, 28 de setembro de 2007

Revista Brasileiros online - Exercício



Olá,


Observe as características, linguagem, público, projeto editorial e gráfico, divulgação dentre outros e faça um breve resumo com as suas considerações a respeito da Revista Brasileiros.

Entrega da atividade na próxima aula, em sala.

quinta-feira, 20 de setembro de 2007

Carta ao leitor/Editorial - Exercício - Tira-dúvida

Leia atentamente o recorte abaixo:


Gêneros textuais: CARTA AO LEITOR e EDITORIAL

A divulgação científica na mídia

Para a caracterização do funcionamento do discurso de divulgação científica na mídia, foram selecionados trechos da "Carta ao leitor" da revista Superinteressante (São Paulo, Abril, out. 2002) e do "Editorial" da revista Pesquisa FAPESP (São Paulo, FAPESP, out. 2002). A seleção dessas duas publicações fundamentou-se, por um lado, em aspectos comuns — ambas são revistas de divulgação científica, vendidas em bancas de jornal e publicadas no mês de outubro de 2002 — e, por outro, em aspectos divergentes — as instituições responsáveis pelas publicações, Editora Abril e Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP), ocupam espaços diferentes na sociedade brasileira, o que tem conseqüências no funcionamento discursivo dos textos que iremos analisar.


A revista Superinteressante traz, no início de cada número e ao lado de quadro com informações sobre a equipe editorial da revista e da Editora Abril, um texto do gênero "carta ao leitor", assinado pelo diretor de redação. A escolha desse gênero sinaliza a busca de diálogo com o público-alvo, como meio de atingir seus propósitos: a captação do interesse do leitor em função dos temas tratados na edição com vistas à venda da revista.


O texto constrói-se sobre o diálogo eu — diretor de redação —, tu — cada leitor individualmente — e a menção a um ele(s) — repórteres e reportagens:

Eu disse no mês passado que as novidades que marcam nosso aniversário de 15 anos não tinham se encerrado na edição extra de setembro — capa "Diabete" — e na caixa de CDS com a coleção completa da SUPER — dois produtaços que estão nas bancas. E é verdade. Tem muita coisa bacana vindo por aí. Livros, DVDS, um almanaque maravilhoso. Mais a possibilidade de assinar já as 12 edições mensais de Mundo estranho e seis edições especiais da SUPER para 2003. Enfim: prepare o seu coração para tudo que a gente está aprontando para você.


No eixo da intersubjetividade (eu/tu), é produzida a aproximação diretor de redação/cada leitor, por meio da construção de imagens e do apagamento da assimetria repórter (detentor de um saber) e leitor (que busca a informação). Na seqüência, o diretor faz uso de uma série de recursos lingüísticos para construir seu lugar de enunciação: utilização de sufixos e termos próprios a uma linguagem coloquial, produzindo os efeitos de descontração, jovialidade e leveza ("dois produtaços", "coisa bacana", "embasadíssimos", "aprontando", "primeiríssima qualidade", "em primeira mão"), simulação da simetria ou mesmo produção de assimetria em benefício do leitor ("Muitas vezes o leitor da SUPER sabe tanto ou mais sobre o assunto em pauta do que os especialistas que ouvimos nas reportagens."), sem contudo abrir mão da seriedade ("uma apuração exemplar que reflete bem o tipo de jornalismo que tentamos fazer na SUPER todo mês: informação e análise de primeiríssima qualidade"). O leitor da revista é inserido no texto, com a utilização de diversas marcas de interlocução ("prepare o seu coração para tudo que a gente está aprontando para você", "Quando digo que você é nosso acionista, meu caro, minha cara, não estou exagerando", "É um tremendo desafio e uma grande satisfação fazer jornalismo para gente como você", "Boa leitura").



Por fim, fora o eixo da intersubjetividade, o texto constrói a legitimidade dos conteúdos veiculados, por meio da exposição e valorização das credenciais da fonte da reportagem ("ouviu ninguém menos que Peter Gay, autor de uma das mais respeitadas biografias de Freud, Fritjof Capra, físico da Universidade Berkeley, um dos fundadores da chamada New Age, e Sophie Freud, a neta do bom velhinho") e da proximidade repórter/leitor ("Para realizar a reportagem que você lê a partir da pág. 42, o editor Rodrigo Cavalcante, um flamenguista nascido em Maceió, homem de letras que também é autor dos vitupérios mais engraçados que ecoam pela redação"). Nesse texto, a transmissão de conhecimento é modulada pela captação e sedução do público leitor, que regula todo o processo: a escolha dos temas, seu enfoque, a postura do repórter e do diretor de redação.


Esse procedimento se enquadra na análise de Barthes (1975) sobre a influência da retórica aristotélica, na qualidade de "arte" de persuadir por meio de estratégias verossímeis, ou seja, daquilo que é opinião corrente, nas culturas ditas de massa. Essa lógica também tem influenciado, a propósito, as práticas escolares que fogem do conflito e buscam a satisfação do aluno como meio de produzir um aparente sucesso educacional.


A revista Pesquisa FAPESP traz, no início de cada número e ao lado de quadro com informações sobre a equipe editorial da revista e da FAPESP, um texto do gênero "editorial". Diferentemente da carta ao leitor, esse gênero, presente em grandes jornais impressos, não vem assinado, pois representa a posição da equipe editorial a respeito dos assuntos tratados naquela edição. A escolha do gênero evidencia a diferença com relação à revista anteriormente analisada: a apresentação e o comentário das reportagens da revista não trazem marcas da relação autor/leitor, legitimando-se pelos critérios científicos e pela relevância das pesquisas descritas nos textos. O "Editorial" inicia-se da seguinte forma:


Surpresas do mundo vegetal

Os que estão sinceramente preocupados com o futuro do planeta mostram-se indignados com a recusa dos Estados Unidos — o país responsável por um quarto das emissões globais de dióxido de carbono (CO2) na atmosfera terrestre — em ratificar o Protocolo de Kyoto, mas perceberam, com alívio, claros sinais, lançados de Johannesburgo em setembro, do crescente isolamento internacional da posição norte-americana. Na dúvida, contudo, quanto aos bons resultados da diplomacia, os pesquisadores que lidam concretamente com problemas do meio ambiente continuam indo à luta e perseguindo soluções capazes de impedir o desastre anunciado que representaria para a humanidade o aumento descontrolado do gás carbônico no ar que respiramos.



Tal como assinalado, o "Editorial" não apresenta nenhuma marca das pessoas do discurso (eu/tu), construindo-se inteiramente sobre a terceira pessoa, característica dos textos científicos. O segundo parágrafo, que se inicia com "O mundo vegetal revela outra surpresa nesta edição", modula esse recurso — confirmando e estabelecendo-o — pelo uso da terceira pessoa: atribui-se ao mundo vegetal a revelação dos efeitos da planta, e não à atividade de sujeitos cientistas, o que produz o efeito de objetividade do discurso científico.


Os critérios de seleção dos temas das reportagens provêm das duas esferas definidoras da revista: da esfera midiática, a preocupação com assuntos da atualidade e seu impacto social, evidenciados na menção ao "Protocolo de Kyoto", para introduzir a reportagem sobre o jatobá, e ao "significado social" das descobertas sobre a samambaia-das-taperas; e, da esfera científica, os avanços obtidos pelas pesquisas relatadas e sua aplicação tecnológica, presentes na expressão "a par dos resultados científicos" e "novas tecnologias úteis a seu campo de atividades". É o potencial de novidade e sua relevância social que funcionam como índices legitimadores das reportagens, cuja apresentação dispensa a explicitação das credenciais de repórteres e cientistas, autorizados a priori pelo prestígio da FAPESP, na qualidade de órgão de financiamento da pesquisa no Brasil.


Os aspectos acima descritos apontam para o leitor-alvo dessa publicação: familiarizado com assuntos internacionais veiculados pela mídia, conhecedor do prestígio da FAPESP e interessado nas possibilidades de aplicação do conhecimento científico produzido no Brasil. Esse leitor necessita de poucos recursos de sedução para a leitura da revista, além do prestígio que a ciência já goza em nossa sociedade.


A análise da "Carta ao leitor" da Superinteressante e do "Editorial" da Pesquisa FAPESP evidenciam as diferenças entre essas duas publicações. Assim como se observou anteriormente a propósito dos estudos retóricos, a primeira publicação — Superinteressante — desempenha o estatuto do propagandista, isto é, o de granjeador da atenção do seu público, ao passo que a segunda — Pesquisa FAPESP — usufrui o prestígio de porta-voz legítimo dos valores de uma comunidade, a saber, da comunidade científica brasileira.


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Exercício: Faça a análise de quais são as características (predominantes) presentes nos textos abaixo, que “definem” o gênero Carta ao Leitor:


Rumos da educação

Liberdade atropelada

Revista ConViver Nordeste

Um prazer que move economias e transforma países